O meu presente


Pressinto que me tocas ternamente as pontas destes dedos que não criam folgas para te tocar e que delicadamente me agarras a mão e me fazes rodopiar, tal bailarina das flores, rodo e rodo sem parar. Insisto nesta dose de loucura sem princípio activo para medicar e só a receita do amor encontra a cura nesta doença inscrita no mar. Sinto um sol a brilhar sobre a areia da praia, onde crianças saltitam de cabelos ao vento, onde fiz o meu poisar e aonde te espero para em paralelo esvoaçar. Perco-me constantemente na imensidão do horizonte, na superficialidade dos instantes e na essência dos momentos, bordados e tecidos à flor da pele, nesta pele onde cada poro respira vida a palmilhar. Desfoco a imagem na horizontalidade do sonho, de corpo livre ao sabor do tempo e em bicos de pés, inspiro a magia dos odores a alecrim e rosmaninho, inertes nesta paisagem que me deu berço de (ou)tonalidades pintalgadas na inquietude das horas a passar. Imersa na maresia dos campos que baloiçam, entrego-me a ti meu mar para que no amanhecer da aurora, eu seja o sol a te despertar e neste dia especial, este é o meu presente a ofertar.

4 comentários:

  1. Bonita prosa poética que se configura num hino à Natureza que entra pelos olhos e pelos ouvidos.

    Um beijo

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  2. e pressentes muito bem.
    um texto que me diz tanto...
    um beij

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